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26/12/2006


Post Pós-Natalino

 

23 de dezembro e deixo tudo pra última hora como sempre, saí pra comprar algumas coisas que não davam pra ficar sem comprar na antevéspera do Natal. Tudo bem, até que estava transitável e apesar do estresse que é sair com a minha mãe e meu irmão de dois anos, eu consegui fazer o que tinha que ser feito.

À tarde um misto quente, sofá e TV, choveu bastante e nada melhor que tirar um cochilo ouvindo o barulho da chuva. Acordei pra ajudar a minha mãe a se vestir de Papai Noel, todo ano ela faz isso e eu também ajudo na distribuição dos presentes. Nada melhor que ver a expressão de felicidade estampada no resto das crianças.

Passei o Natal em família, minha mãe fez uma torta de limão que estava uma delícia, mas tinha bastante coisa gostosa pra comer, além disso. Troca de presentes, oração antes da meia-noite, ceia e aquelas coisas de sempre. Confesso que ao passar dos anos o espírito Natalino meio que foi adormecendo dentro de mim. Já não me empolgo mais como antigamente, talvez pelo fato de já não passar em família, com meus irmãos, pai e mãe, mas Natal sempre é Natal, qualquer que seja o seu sentimento.

Lembro que quando meus pais ainda eram casados e vivíamos juntos, nessa época de Natal a gente ajudava a minha mãe decorar a árvore e também perdurávamos as meias na janela, já que não tinha lareira. Eu acreditava fielmente em Papai Noel, dormia na esperança de acordar pra vê-lo, e quando acordávamos lá estava o nosso presente, às vezes até dinheiro ele deixava. Eu ficava triste por não tê-lo visto, mas feliz pelo presente que ele sempre me deixava e é esta lembrança infantil e muito boa que eu tento guardar, o Natal aos olhos de uma criança que crê e vive num mundo feliz e colorido.

Ontem foi churrasco com os amigos, muita música, muita conversa e aquelas coisas de praxe que se faz em churrascos. O assunto principal era onde vamos passar o Ano Novo. O fato é que praia foi o lugar eleito democraticamente e unanimemente por todos, mas a forma ainda não está definida. Casa ou acampamento? Casa é normal, mas acampamento seria diferente, além do tempo que está ótimo pra acampar.

Têm vários lugares bacanas e com estrutura (estacionamento, banheiro, guarda-volumes e etc) e não fica muito longe daqui. A única coisa que foi definida é que vamos passar entre amigos e em alguma praia tranqüila, sem aquela coisa de povão no meio da areia pulando as sete ondas, sem falar nas oferendas que o povo joga no mar, mas que acaba voltando pra praia com as ondas.

E é isso aí... Pretendo voltar aqui ainda esta semana pra fazer o balanço do ano que passou, volto também pra desejar Feliz Ano Novo a todos.

 

Até mais!

Escrito por Ed às 10h58
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21/12/2006


Ela tem um ano e alguns meses e é a mais esperta que eu já vi, apesar de ainda não falar muito bem, se expressa melhor o meu irmãozinho de quase três anos.

Ela sentou e ficou quietinha enquanto seu pai fechava o carrinho e quando percebeu que eu a observava ela riu pra mim e tentou se levantar. Meu Deus, ela pode cair então peguei naquela mãozinha minúscula e a coloquei sentada de novo. Puxei assunto com seu pai.

- Como se chama essa coisinha linda?

- Iara Cristal

- Que bonito nome, faz jus a ela, parabéns! É tua filha?

- Sim

- Quantos anos ela tem?

- Um ano e cinco.

- Nossa!

Percebi que ele não era brasileiro, pelos traços parecia ser chileno, peruano ou boliviano.

- Não, não, sou do Uruguaio

Putz meu, não acerto uma... Mas tudo bem. Continuamos a conversar e ele me perguntou se eu falava espanhol, respondi que sim e conversamos durante uns 20 minutos.

Mora no bairro, trabalha com artesanías, ou simplesmente artesanato, ele fala pra Iara:

- Hija, ¿dime en dónde está el collar?

E ela fazia sinal com a mão apontando pro pescoço.

- Hija mía, ¿dónde están los aritos de Iara?

E ela ria e gesticulava…

- ¿Estás yendo al Centro?

- No, no. Trabajo muy cerca de aquí, ¿y tú?

- Vendo mis artesanías por aquí pero voy al Centro porque tengo que recibir una grana.

- ¡Oye! Ahí viene y está vacío, ¡tómalo!

- Ah sí… Verdad… Me voy, gracias por la charla, sos muy simpático, vivo en la calle bajo el puesto policial, ¡nos vemos y Feliz Navidad!

- ¡Gracias! Vivo en esta calle a la izquierda. Espero que la pases muy bien con tu hija, ¡Feliz Navidad!

 

Que coisa…

 

Música do dia: Geraldo Vandré – Para Não Dizer Que Não Falei das Flores

 

 

 

 

Escrito por Ed às 12h16
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20/12/2006


 

Dia quente e abafado e chegou a 33°C, mal pude ficar na minha sala que por sinal está com ar-condicionado quebrado e nem a ventilação está funcionando. À tarde como era esperado o tempo fechou, choveu e ventou bastante, mas depois da chuva a bonança e à noite, mesmo chovendo esporadicamente, estava quente e convidativa. Hoje quando acordei e vi pela janela aquele céu azul sem nenhuma nuvem fiquei bem humorado e até vim mais largado trabalhar, jeans, tênis e camiseta. Dane-se! Não é proibido e faltam apenas dois dias para eu sair de férias. Tomo o ônibus, está calor, observo o pessoal e vejo um rapaz com os traços indígenas provavelmente indo trabalhar. Não é normal ver índios aqui, mas foi interessante... Sabia que aqui em São Paulo existem tribos indígenas? Pois é, e sabia que até meados do século XVIII falava-se o tupi em grande parte da área colonizada e até os portugueses aprenderam o idioma que era utilizado no comércio e na catequização dos nativos? E por quê é feriado no Dia da Consciência Negra, mas no Dia do Índio não? Ambos viveram praticamente a mesma história, senão exatamente a mesma e se um tal de Marquês de Pombal não tivesse proibido o tupi nas Capitanias ainda o falaríamos. Bom, o verão começa amanhã e pelo que vejo não vou usar minhas blusas por um bom tempo, espero.

Fato: uma vez comentei com uma amiga polaca que no Brasil muitas pessoas costumam passar o ano novo na praia. Ela me disse que isso é exótico e tropical e eu disse a ela que exótico para mim seria passar o ano novo à -15°C com uma penca de roupas, nevando e na Polônia. Que coisa, não?

Vou ficando por aqui...

 

Até mais!

 

Música de hoje: Orishas – Soy de Cuba

Escrito por Ed às 10h26
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